sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

"Nunca dês tudo à primeira; senão, quando te pedirem mais, vês-te sem nada."
Carlos Colaço

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Já fui...

"Já fui luar,
Já fui raio de sol.
Já fui vida
E já fui morte.
Fui sonho inacabado.
Já fui fogo,
Já fui mar.
Fui sangue derramado.
Fui gaivota a voar.
Já fui mal
E já fui cura.
Já fui ar
E pedra dura.
Já fui liberdade
E opressão.
Já fui brasa
Já fui gelo.
Ai que saudade!
Já fui passado,
Futuro serei.
Agora, o que sou,
Realmente... não sei!"

domingo, 30 de janeiro de 2011

O "monstro"

O “monstro”, ontem, fez-se notar. Tentou emergir da profundeza do lago.. e eu a pensar quer o tinha aniquilado, há uns meses, quando o encarei de frente. Ele não sabia que os acontecimentos dos últimos dias já me mantinham alerta. Algo me dizia que o “monstro” se iria aproveitar para tentar tomar conta de mim. Mal vi o borbulhar nas águas do lago soube de imediato que o “monstro” se aproximava. Peguei num balde e, incansavelmente, comecei a mandar baldes de água para aquele local, a tentar submergir o “monstro”. Ainda lhe vi um olho fora de água, aquele olho penetrante que parece tomar conta de nós, hipnotizando-nos. Mas consegui ser mais forte, mandar o “monstro” para debaixo de água, novamente. Já me doíam os braços de tanto tirar água e mandar para o lugar onde o “monstro” iria emergir, mas consegui! Consegui cansar-me. Afinal eu estava a tirar água do próprio lago. Afinal a minha vitória era ilusória. O “monstro” acabaria por se aperceber que, para pôr água num sitio, a estava a tirar de outro, abrindo mais facilmente o caminho ao “monstro”. Talvez o segredo não resida em mandar água para cima do “monstro”, só para não ver os seus olhos hipnotizantes. O segredo, talvez, seja, aniquilar o “monstro”, não o afundar, mas enterrá-lo! Escondê-lo bem fundo, para que não volte mais a perturbar as serenas e calmas águas do meu lago. Mas é difícil! O raio do “monstro”, de vez em quando, teima em fazer-se notar, teima em dizer que um dia tomará conta de mim. Tenho resistido, tenho conseguido vencer a batalha, mas não sei até quando, não sei como evitar que o “monstro” volte a aparecer… resta-me esperar que ele apareça e me limite a combate-lo no momento, esperando ir ganhando as batalhas. Uma vitória momentânea, mas que será sempre um a vitória!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Levo rosas entre os braços,
Espinhos no coração.
Entre beijos e abraços,
Os espinhos ficam...
As rosas vão!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

De rastos!!

De rastos cheguei à vida,
Desde o ventre de minha mãe.
De rastos passei pela vida,
De rastos, de rastos… de rastos.
Rastejando me perdi,
Rastejei perdido… e nem vi.
De rastos à frente de tudo,
Rastejando de tudo atrás.
Rastejei perdido e não vi.
De rastos p’la vitória,
Cheguei rastejando à derrota e…
Rastejei perdido… e nem vi.
De rastos, num caminho sem saída,
Cansei-me de tanto rastejar, porque
Rastejei perdido… e nem vi.
E, no final da jornada,
Vou parar de rastejar,
Erguer-me e beber o sangue que escorre.
E vou morrer em pé.
Porque em pé…
Também se morre!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Ser perfeito

Amar a perfeição é fácil. Amar o que, só por si, é belo, é fácil, verdadeiramente fácil. Tão fácil que até é possível amar esta facilidade. Mas, que se colhe desse amor? Que desfrute há para o ego quando as coisas são fáceis? Onde está o desafio? Onde está o combustível para a nossa auto-estima? Aquilo que nos empurra para a frente todos os dias e nos faz remar, muitas vezes contra ventos e marés. Mas que nos deixa tão leves quando conseguimos chegar ao outro lado, fazes a travessia. Amar é ir além do fácil, do perfeito, do belo. É amar o outro, com as suas qualidades e defeitos, amar a imperfeição, de que todos somos feitos. É amar o desfio de aprender a apreciar também os defeitos e vê-los como parte de um todo que, de alguma forma, nos preenche. É superar o menos belo e amar o outro como ele é. E quando o conseguimos, não há vitória maior, não há melhor combustível que nos empurre e nos faça sentir maiores, mais completos, com uma auto-estima capaz de fazer frente a ventos e marés. Amar assim é amar. Amar assim é deveras gratificante e o primeiro passo é aplicarmos isto a nós mesmos e aprendermos a amarmo-nos tal como somos: seres imperfeitos! Assim, estaremos, com certeza, mais perto da tão desejada perfeição.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Pudera eu hoje morrer
E não hesitaria.
Mais uma alma libertada
De uma vida de fachada,
De uma existência vazia.
Pudera eu hoje passar,
Sumir, acabar!
Chegar ao outro lado a rir,
Porque, lá, nada me pode matar!
Pudera eu hoje não existir,
Apagar a memória, o medo,
O sentir e a vã glória.
Pudera o hoje ser meu,
Existir, sem mais nada, sem ninguém…
Pudera eu hoje ser Eu…