segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Tempo humano

Os dias não são dias

E as horas tardam um momento,

As tristezas sao alegrias 

E as alegrias um tormento. 

O tempo não faz sentido

E o espaço é desalento

O ser anda perdido

Empurrado pelo vento. 

O céu abre-se, voraz

E traga-nos sem piedade, 

Rouba o alento e a paz 

Deixando só a saudade.

sábado, 2 de abril de 2016

Multidão

Há em mim uma multidão…
… Muda, que grita,
Um monstro voraz,
Que suga a alma…
Numa sede infinita.
Há em mim uma paz…
…Que me embala … e acalma.
Há em mim um ermita!!!
Há em mim uma profusão…
… De eus e de mins…
… De princípios e de fins.
De vazios e afins.
Há em mim uma lentidão …
… Que me agita,
 Que me rouba à razão,
Que em mim habita!

Otimismo

O otimismo é como um sapato gasto: ajuda-nos a caminhar, mas não nos impede de sentir todas as pedras do caminho, nem nos protege de ficarmos com os pés cravejados de espinhos! 7 Carlos Colaço

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Odeio o sorriso dos outros, Lembra-me que não sei sorrir. Odeio não saber onde o caminho me leva, Não sei como caminhar. Odeio quando me ajudam, Sem vontade de ajudar. Odeio não saber escrever, Não me consigo explicar. Odeio quando hesito, e rasgo o momento de hesitar. Odeio o choro dos outros, Lembra-me que não sei chorar. Odeio quem odeia e Odeio ter que odiar!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Um sorriso

"Um sorriso tem efeitos nos dois sentidos: faz bem a quem sorri e ainda melhor a quem vê o sorriso."
Carlos Colaço

domingo, 6 de março de 2011

Na vida, já me cruzei com príncipes, e já me cruzei com sapos. Os sapos, por mais que os beijasse, nunca se trnasformaram em príncipes. Por outro lado, os príncipes, ao primeiro beijo, tranformaram-se em sapos....

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

"Nunca dês tudo à primeira; senão, quando te pedirem mais, vês-te sem nada."
Carlos Colaço

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Já fui...

"Já fui luar,
Já fui raio de sol.
Já fui vida
E já fui morte.
Fui sonho inacabado.
Já fui fogo,
Já fui mar.
Fui sangue derramado.
Fui gaivota a voar.
Já fui mal
E já fui cura.
Já fui ar
E pedra dura.
Já fui liberdade
E opressão.
Já fui brasa
Já fui gelo.
Ai que saudade!
Já fui passado,
Futuro serei.
Agora, o que sou,
Realmente... não sei!"

domingo, 30 de janeiro de 2011

O "monstro"

O “monstro”, ontem, fez-se notar. Tentou emergir da profundeza do lago.. e eu a pensar quer o tinha aniquilado, há uns meses, quando o encarei de frente. Ele não sabia que os acontecimentos dos últimos dias já me mantinham alerta. Algo me dizia que o “monstro” se iria aproveitar para tentar tomar conta de mim. Mal vi o borbulhar nas águas do lago soube de imediato que o “monstro” se aproximava. Peguei num balde e, incansavelmente, comecei a mandar baldes de água para aquele local, a tentar submergir o “monstro”. Ainda lhe vi um olho fora de água, aquele olho penetrante que parece tomar conta de nós, hipnotizando-nos. Mas consegui ser mais forte, mandar o “monstro” para debaixo de água, novamente. Já me doíam os braços de tanto tirar água e mandar para o lugar onde o “monstro” iria emergir, mas consegui! Consegui cansar-me. Afinal eu estava a tirar água do próprio lago. Afinal a minha vitória era ilusória. O “monstro” acabaria por se aperceber que, para pôr água num sitio, a estava a tirar de outro, abrindo mais facilmente o caminho ao “monstro”. Talvez o segredo não resida em mandar água para cima do “monstro”, só para não ver os seus olhos hipnotizantes. O segredo, talvez, seja, aniquilar o “monstro”, não o afundar, mas enterrá-lo! Escondê-lo bem fundo, para que não volte mais a perturbar as serenas e calmas águas do meu lago. Mas é difícil! O raio do “monstro”, de vez em quando, teima em fazer-se notar, teima em dizer que um dia tomará conta de mim. Tenho resistido, tenho conseguido vencer a batalha, mas não sei até quando, não sei como evitar que o “monstro” volte a aparecer… resta-me esperar que ele apareça e me limite a combate-lo no momento, esperando ir ganhando as batalhas. Uma vitória momentânea, mas que será sempre um a vitória!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Levo rosas entre os braços,
Espinhos no coração.
Entre beijos e abraços,
Os espinhos ficam...
As rosas vão!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

De rastos!!

De rastos cheguei à vida,
Desde o ventre de minha mãe.
De rastos passei pela vida,
De rastos, de rastos… de rastos.
Rastejando me perdi,
Rastejei perdido… e nem vi.
De rastos à frente de tudo,
Rastejando de tudo atrás.
Rastejei perdido e não vi.
De rastos p’la vitória,
Cheguei rastejando à derrota e…
Rastejei perdido… e nem vi.
De rastos, num caminho sem saída,
Cansei-me de tanto rastejar, porque
Rastejei perdido… e nem vi.
E, no final da jornada,
Vou parar de rastejar,
Erguer-me e beber o sangue que escorre.
E vou morrer em pé.
Porque em pé…
Também se morre!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Ser perfeito

Amar a perfeição é fácil. Amar o que, só por si, é belo, é fácil, verdadeiramente fácil. Tão fácil que até é possível amar esta facilidade. Mas, que se colhe desse amor? Que desfrute há para o ego quando as coisas são fáceis? Onde está o desafio? Onde está o combustível para a nossa auto-estima? Aquilo que nos empurra para a frente todos os dias e nos faz remar, muitas vezes contra ventos e marés. Mas que nos deixa tão leves quando conseguimos chegar ao outro lado, fazes a travessia. Amar é ir além do fácil, do perfeito, do belo. É amar o outro, com as suas qualidades e defeitos, amar a imperfeição, de que todos somos feitos. É amar o desfio de aprender a apreciar também os defeitos e vê-los como parte de um todo que, de alguma forma, nos preenche. É superar o menos belo e amar o outro como ele é. E quando o conseguimos, não há vitória maior, não há melhor combustível que nos empurre e nos faça sentir maiores, mais completos, com uma auto-estima capaz de fazer frente a ventos e marés. Amar assim é amar. Amar assim é deveras gratificante e o primeiro passo é aplicarmos isto a nós mesmos e aprendermos a amarmo-nos tal como somos: seres imperfeitos! Assim, estaremos, com certeza, mais perto da tão desejada perfeição.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Pudera eu hoje morrer
E não hesitaria.
Mais uma alma libertada
De uma vida de fachada,
De uma existência vazia.
Pudera eu hoje passar,
Sumir, acabar!
Chegar ao outro lado a rir,
Porque, lá, nada me pode matar!
Pudera eu hoje não existir,
Apagar a memória, o medo,
O sentir e a vã glória.
Pudera o hoje ser meu,
Existir, sem mais nada, sem ninguém…
Pudera eu hoje ser Eu…

Há janelas entreabertas,

Na senda dos que não vão.

Há pontos cegos à espreita,

Na renda da solidão.

Há momentos de loucura,

Que se envolvem na alma dos que não são.

Há rosas negras abertas

Em cada coração.

Há um mundo de figuras, abruptas,

Que nos assaltam em cada esquina.

Há uma pá de terra guardada que,

Sobre a cabeça se inclina.

Há uma vida gozada, que,

A qualquer momento, termina.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Malabarista de emoções...

Sinto-me cansado, verdadeiramente cansado. Não sei se hoje me apetece brincar à boa disposição. Fazer de bem-disposto.. aquele que está sempre a sorrir. Sempre que me perguntam: "Como estás?" a resposta é sempre a mesma: "Tou sempre bem!". E, às vezes, consigo fingir tão bem, mas tão bem, que me chego a convencer a mim mesmo que estou BEM. Que raio de 'profissão' esta, que eu tinha de arranjar! Sinto-me um verdadeiro MALABARISTA DE EMOÇÕES! Tenho que começar a ter mais cuidado, afinal já não tenho 20 anos, os reflexos já não os mesmos, e um dia, quando menos esperar, falha-me a pontaria e lá caem as emoções todas por terra.... lá se vai a boa disposição.

segunda-feira, 15 de março de 2010

"Pensar que se sabe tudo é o primeiro passo para morrer ignorante."
Carlos Colaço

quinta-feira, 11 de março de 2010

O amor... o amor... considero mesmo ser essa a melhor aposta. Parece-me ser a única via para o conhecimento de nós mesmos e do outro, para o nosso desenvolvimento e crescimento interiores. Posso parecer conservador, mas não creio num mundo desamorizado. Tudo o que é feito sem amor torna-se demasiado efémero para ser realmente vivido: não nos marca, não nos imprime o seu carácter. Passado uns instantes, é como se nunca tivesse existido. Então perguntamo-nos: "Que aconteceu, que me aconteceu?" e a resposta só pode ser uma: "Nada!". E eu não quero viver uma vida cheia de nada, prefiro-a meio-cheia, apenas que seja, mas que possa fechar os olhos e sentir que há algo cá dentro e não uma embalagem vazia, oca, cheia de coisa nenhuma.
Enquanto houver uma pessoa a acreditar que é possível, a ter esperança em Homens verdadeiramente humanos, creio que possamos abandonar os talhos de hipermercado, de carne já embalada, muitas vezes bonita e apetitosa por cima, mas completamente putrefacta por baixo.
"O lugar do lado permanece vazio,
Cheio de nada,
Que ninguém teima em ocupar.
A cadeira ao lado espera por ti.
Se vens, quando vens, não importa.
Não te procuro, nem te espero,
Mas, se te encontrar;
O lugar ao lado continua vazio.
Já fui à guerra, convencido que sobreviveria
Sabendo que perdi a batalha,
Mas que estagnaria, sabendo que a evitei.
Hoje, acima de tudo, evito a guerra.
Deixo a cadeira vazia,
Cheia de nada.
Sem esperar, mas na esperança."

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Silêncio!

Silêncio!
Quero ouvir minha solidão,
Que se agita
Num imenso mar
Onde as almas estão
E a minha grita, aflita.
Silêncio!
Quero ouvir minha alma gemer,
Os últimos suspiros,
Enquanto se afoga
No imenso mar de solidão.
Silêncio!
Enquanto o silêncio medita,
P'ra me trazer lá de longe
Os gritos,
De minha alma aflita,
Num imenso mar
Onde a solidão se agita.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Ainda…

Sei a cor dos momentos a dois,
Das noites em preto e branco,
Que, sozinho, passei, depois.

Sei a cor do teu corpo eflúvio,
Que, em noites de amor, chovia,
Sobre mim… em dilúvio!

Sei a cor dos aromas que trazes,
Que me inebriam os sentidos,
Violentos, doces, vorazes…

Sei a cor de cada palavra vazia,
Sussurrada ao ouvido, na alma,
Hoje, consumida pela aleivosia.

Sei a cor da vitória perdida,
Que, no agitar da solidão
Procuro… pra ganhar vida.

Sei a cor dos sonhos em vão,
Do amor jurado em abraços,
Do real e da desilusão.

Sei a cor da dor que consome,
Do sangue que escorre e se engole,
E se bebe, e não mata a fome.

Até sei a cor das palavras improperadas,
Do silêncio gritado, frio, amordaçado,
Em ti, em mim, em duas bocas fechadas!